Publicações

 

Novos Aspectos da Leitura

Sébastien Joachim

Mais da metade das leituras deste livro exibem uma diversidade de assuntos entre os quais as relações tecidas entre Literatura e Ciências, especialmente as Ciências Humanas; entre Literatura e Artes sob cobertura da Intersemiose; entre Literatura e psicanálise. Sem perder esse pendor relacional as demais leituras interrogam a poesia de Cesar Leal e de Antero de Quintal, e se orientam habitualmente para uma poética da leitura, uma poética do olhar e uma Hermenêutica do sujeito-lendo e do sujeito-escrevendo. Pois, não apenas os poetas e os ficcionistas, mas também a nova geração de leitores também inclinam sobre-maneira a refletir sobre o exercício da linguagem e o ato de ler. O que em nada lhe distrai de um olhar inquisitorial sobre o mundo e sobre si mesmo. Assim como no e-book Aspectos da Leitura que o antecede, neste outro volume da nossa autoria faz-se presente o ambiente tecnológico que funda nossa historicidade.

 

 

 

Aspectos da Leitura

Sébastien Joachim

Nesta obra o Prof. Dr. Sébastien Joachim discuti a crise da leitura no Brasil e a importância de lançarmos um novo olhar sobre ela, para tanto, faz-se necessário mudanças em diferentes esferas: na concepção do que é leitura, na grade curricular universitária e escolar, no corpo docente e discente. É preciso desenvolver o gosto da leitura e, com isso, democratizá-la para que encontremos a “leitura sem dor, a leitura como aprendizagem da cidadania sem constrangimento, a leitura-socialização, a leitura-sem repressão. A força de ascensão que ela se tornará, requer a disponibilidade de maior leque possível de material: livros ditos cultos (claro), mas também material escrito de todas as espécies (literatura popular, magazine, quadrinhos, jornais ilustrados, cartazes, fotonovelas, etc); igualmente material audiovisual, (vídeo, filme, curta e longa metragem, telenovela, ficção interativa, programa de televisão). É desejável que escreva, desenhe e adapte sob outras formas o material de uma modalidade”. A obra Aspectos da Leitura faz parte da Coleção Letras – Edições Eletrônicas da Pós-Graduação em Letras da UFPE, disponível para download no endereço eletrônico: http://www.pgletras.com.br/publicacoes-colecao-letras-edicoes-eletronicas.htm

 

 

Poética do Imaginário: Leitura do Mito

Sébastien Joachim

Nesta obra o Prof. Dr. Sébastien Joachim discuti a importância do reino do Imaginário e, consequentemente, do reino mítico para os estudos literários. Sendo o Imaginário o estudo das imagens que povoam a imaginação, em outras palavras: sendo a imagens constituintes da língua peça qual se expressa a imaginação, sendo o imaginário o domínio de residência da Imaginação, um domínio ubíquo que passa ao largo do racional, é preciso portanto aprender a ler as imagens. O reino da Imaginação ou do Imaginário, que também é do Mito, é reino das hiper-realidades espiritual-afetivas ou anímicas, imponderáveis, impossíveis de ser enquadrinhadas, impossíveis de ser contidas na formalização lógica das frases, cláusulas, definições. O imaginário transborda todo limite. Sua arquitetura existe, mas ela fica por uma boa parte misteriosa, principalmente quando se trata das imagens meta-empíricas, da profecia, da mística religiosa. As redes de imagens estão no térreo do edifício de vários andares do Mítico. Cada andar exerce uma supremacia sobre aquele que lhe é inferior em força produtiva e em universalidade de sentidos.

 

 

Cultura e Inclusão Social: Ariano Suassuna, Paulo Coelho e outros fenômenos atuais

Sébastien Joachim

A presente publicação se estabelece no terreno dos Estudos Culturais. Estão aqui reunidos vários artigos e palestras que tivemos de redigir no quadro de uma Bolsa de Desenvolvimento Científico Regional (DCR) concedido pelo CNPq e apoiada pela FAPESq. Esta apresentação geral indica que temos apresentado as nossas investigações. Paulo Coelho e Ariano Suassuna são os protagonistas da maioria dessas histórias narrativas que chamamos de pesquisas. Rachel de Queiroz e Raimundo Carrero desempenham o papel de atores coadjuvantes. Na ocasião de certos colóquios da UEPB e da UFPE tivemos a oportunidade de envolver em nosso discurso outros atores sociais e culturais tais como o popular romancista Haitiano-canadense Dany Laferrière, os seus pares norte-americanos Max Dorsinville e Ralph Ellison, o Colombiano Gabriel Garcia Marquês, a grande poetisa Brasileira Cecília Meireles. Um dos mais curiosos vultos de nosso pessoal narrativo é aquilo que ao olhar de muitos Cientistas sociais passa por uma encarnação do Diabo em nossa época, a Mundialização. À imagem e semelhança desta entidade ambivalente, onipresente e demoníaca, surgirá aqui o Multiculturalismo, outra figura ora sombria ora luminosa de nossa neo-modernidade. Dos estudos apresentados, dois se afastam um pouco pelo seu conteúdo do eixo do intercultural. Com efeito, é indiretamente que se ligam ao conjunto dois trabalhos inéditos que o espaço criado pela bolsa DCR do CNPq nos franqueou a oportunidade de finalizar: a conferência linguística “o Corpo e a Voz na cena da enunciação”.

 

 

A Representação do Outro na Literatura Popular Francesa e Latino-Americana

Sébastien Joachim

A Representação nas leituras das Américas em suas ficções é o primeiro de doze ensaios sobre o trabalho de doe ensaios sobre o trabalho de diversos escritores da latinidade americana e de alguns de seus pares do além-Atlântico. Estes ensaios serão precedidos de uma monografia sobre a Representação do Negro na Ficção, sendo a representação sempre atrelada a uma certa estraneidade  que, para os países colonizadores e a sua herança mental entre nos começa pela percepção estratégica ou espontaneidade do Negro junto ao Índio. Mas o que se entende aqui por América latina?

É mister sabê-lo, uma vez que a ideia de latinidade americana mudou. Ampliou-se socioculturalmente à escala do continente e dentro do quadro da Francofonia e dos Estudos Neolatinos. Povos de cultura latina se encontram no Canadá de expressão francesa (Lousiana, comunidades da Nova Inglaterra como Rhode Island, Maine, New Hampshire, Massachusetts, como também nas regiões fronteiriças de México, na Califórnia, na Flórida e na cidade de Nova York). Destacam-se a literatura da Louisiana e uma literatura chicana estudadas em muitos departamentos de Letras neolatinas.

 

 

Intersecções: Ciência e Tecnologia, Literatura e Arte

Ermelinda Maria Araújo Ferreira (Org.)

O projeto deste livro surgiu ao longo de duas disciplinas  ministradas pela Profª. Ermelinda Ferreira no Curso de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco, durante as quais essas questões foram debatidas. A maioria dos ensaios aqui reunidos foram, portanto, apresentados e discutidos durante seminários em sala de aula, por alunos de mestrado e doutorado. A novidade das abordagens e a interdisciplinaridade das propostas – que estabelecem o intercâmbio da literatura com as artes plásticas, o cinema e a música, em veículos tradicionais, midiáticos e digitais –; bem como a qualidade dos textos resultantes desta experiência, produziram o interesse pela publicação. “Intersecções” – título sugerido pelo grupo, e complementado com um subtítulo (“Ciência e tecnologia, literatura e arte”) a Walter Benjamin (de “Magia e técnica, arte e política”) – divide-se em quatro secções, de acordo com a identificação temática preponderante dos artigos, embora todos dialoguem entre si, como verá o leitor: “Literatura e utopia”,“Literatura e corpo”, “Literatura e ciência” e “Literatura e tecnologia”. Vale ressaltar que o termo “Literatura” é aqui utilizado numa concepção abrangente, capaz de dar conta das diversidades com que o “texto” se apresenta ao leitor na contemporaneidade.

 

A Mensagem e a Imagem: Literatura e pintura no primeiro modernismo português

Ermelinda Maria Araújo Ferreira

Os turbulentos anos do início do século XX assistiram em Portugal a um amplo, rico e democrático debate entre poetas e pintores reunidos em torno da revista Orpheu, marco do primeiro modernismo português. Realizando um intercâmbio único até então esses jovens estabeleceram uma rede particular de relações e d experiências, capazes de gerar os múltiplos olhares dos heterônimos, absorvidos pela perspectiva fria e distanciada de Fernando Pessoa, ao olhar enraizado, próximo e sedutor de Mário de Sá-Carneiro. Um olhar que de cínico em Santa-Rita Pintor se faz cético em Amadeo de Souza-Cardoso e sintético em Almada Negreiros. O presente ensaio, que procura investigar as relações entre palavra e imagem em textos e telas selecionados entre os mais significativos da época, divide-se em três partes, conforme a predominância do enfoque num dos três principais olhares característicos desse momento da modernidade portuguesa: o de Orfeu o de Narciso e o de Medusa.

 

 

 

Na véspera de não partir nunca: 70 anos sem Fernando Pessoa

Ermelinda Ferreira (Org.)

Ler Pessoa é como olhar para o diagrama estereoscópico que ilustra a capa deste livro. No interior do padrão decorativo, que vemos superficialmente, oculta-se uma revelação inesperada. Mas é preciso paciência para chegar até ela. É preciso manter os olhos relaxados, e com tranquilidade afastar a página lentamente, fixando o olhar num ponto distante, fingindo ver o que lá não está. Com um pouco de fé, curiosidade e disposição, o milagre acontece: a verdade oculta vem à luz, corporificando-se no espaço, em terceira dimensão, como um heterônimo. Uma “verdade” que, apesar da aparência, não passa de uma máscara. Os ensaios impressos nas páginas deste livro funcionam como o desenho impresso em sua capa. Quem olhar atentamente para a imagem, verá o que lá se esconde: não o retrato de Fernando Pessoa, mas uma representação ainda mais fiel do seu rosto: as máscaras. Ilusória como qualquer verdade, elas saltam gloriosas para o mundo – materializadas na certeza indiscutível dos que as percebem – e nos devolvem o olhar.

 

 

 

Em Pessoa

José Rodrigues Paiva e Ermelinda Maria Araújo Ferreira (Org.)

Esta obra foi idealizada a partir da comemoração dos setenta anos da morte de Fernando Pessoa, em especial, é fruto do projeto Na véspera de não partir nunca: 70 anos sem Fernando Pessoa, que se desdobrou em diversas sessões públicas, conferências, painéis, mesas-redondas e um seminário, eventos que tiveram lugar em vários espaços da cidade: no Centro de Artes e Comunicações da UFPE, na Faculdade Frassinetti do Recife (FAFIRE), na Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (FACHO), no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, no período de junho a dezembro de 2005. Esta coletânea contem, portanto, os estudos apresentados no seminário.

 

 

 

 

 

Leituras: Autores Portugueses revisitados

Ermelinda Maria Araújo Ferreira

Concebido como uma coletânea de leituras independentes que se debruçam sobre textos clássicos de autores portugueses representativos de vários períodos, este livro apresenta um fio condutor comum, composto por referências teóricas e questionamentos que se repetem como variações em torno de temas caros à modernidade, a saber: o espaço reservado ao imaginário num mundo dominado pela tecnologia, o revisionismo histórico dos textos e a estética da recepção, a ética das verdades face à politicamente correta ética dos princípios, a disputa de podes entre a palavra e a imagem, o papel da mulher na sociedade, a questão da infância e da experiência como metáforas de renovação e de permanência na literatura. Conduzidos por esses temas, os ensaios aqui reunidos parecem dialogar entre si, refletindo sobre a melancolia do curso histórico e sobe relatividade do eterno da arte.

 

 

 

Cabeças Compostas: A Personagem Feminina na Narrativa de Osman Lins

Ermelinda Maria Araújo Ferreira

Nos anos de 1960, época vivida por Osman Lins, a história literária passa a confundir-se com a da arquitetura do livro, daí explicando, dentre outras, a preocupação com o advento do livro de Maurice Blanchot, a do livro como objeto, de Michel Butor, e a dimensão temporal romanesca do livro como cinema, de Robbe-Grillet. Daí também a preocupação com o livro explicitada por Osman Lins em Guerra Sem Testemunhas, o que emerge com toda a força sensorial na estética romanesca fragmentária de Avalovara, um livro que não tem medo de mostrar-se como tal. De outro lado, essa estética se traduziria mais amplamente na visual, que vinha dos pintores surrealistas na época do entreguerras, tendo no pintor maneirista Giuseppe Arcimboldo um grande inspirador e antecessor genial, cujas montagens de cabeças o estudo Cabeças Compostas: A Personagem Feminina na Narrativa de Osman Lins, de Ermelinda Ferreira, tem o grande mérito de trazer à tona, servindo praticamente de arcabouço teórico, sensível e perspicaz, para a leitura de Avalovara. Ermelinda Ferreira acrescenta um olhar sensível à obra de Osman Lis com este singular e infinito jogo de cabeças, e destaco a letra “h” silenciosa na palavra honrosamente para expressar o modo como o faz, tratando-se, a propósito, de um acréscimo referente à inicial muda e que falta ao nome da autora em reação às suas personagens homônimas Hermelinda e Hermenilda. Essas mulheres, cujos nomes melodiosos, emprestam-se, por sua vez, à montagem alegórica de Osman Lins, na analogia entre o silencioso da letra e a invisibilidade da imagem, indicam a mudez em ponto cego, mola propulsora ou desejo artístico, na passagem do manuscrito, que se faz pelas mãos como dedilhar o bandolim ou tecer, à reprodução industrializada do livro, efetivando a metamorfose entre visível e legível desacomodadora do olhar, resgatando significados adormecidos pela técnica, despertando-nos para a consciência artística da palavra. Expostos aqui, em suas (des)montagens corajosas e surpreendentes, de que Ermelinda Ferreira se mostra exímia leitora, este olhar fascina ao mesmo tempo em que horroriza. Impossível não nos tornarmos seus cúmplices.

 

 

Vitral ao Sol: Ensaios sobre a obra de Osman Lins

Ermelinda Maria Araújo Ferreira (Org.)

O presente livro foi concebido com o intuito de celebrar o aniversário do escritor pernambucano Osman Lins, que completaria 80 anos em 5 de julho de 2004. A obra reúne ensaios inéditos produzidos nos últimos cinco anos por estudiosos, pesquisadores e admiradores da obra osmaniana, provenientes de sua terra natal ou nela atuantes. São textos resultantes, na sua maioria, de trabalhos acadêmicos, desde monografias de conclusão de disciplinas, feitas por alunos de graduação, até ensaios escritos para cursos de pós-graduação – especialização, mestrado e doutorado – que o Departamento de Letras da Universidade Federal de Pernambuco tem produzido, acolhido ou incentivado, com a colaboração do SOL – Sodalício Osman Lins -, grupo de estudos que reúne professores, alunos e leitores empenhados no resgate da memória e na promoção do conhecimento e da divulgação da obra do autor.

 

 

 

 

Osman Lins: 85 anos – A Harmonia de Imponderáveis

Ermelinda Ferreira e Zênia de Faria (Org.)

 O simpósio A poética de Osman Lins: da Tradição à (Pós-)modernidade, realizado entre os dias 14 e 17 de julho de 2008, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, como parte das atividades do XI Congresso Internacional da Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC) – Tessituras, Interações, Convergências – teve como objetivo, além de promover o debate em torno da obra de Osman Lins, homenageá-lo por ocasião dos 30 anos de sua ausência. Na impossibilidade de publicar o livro em 2008, aproveitamos a ocasião da passagem do aniversário de 85 anos do autor em 2009 para registrar, na coletânea Osman Lins: 85 anos – A Harmonia de Imponderáveis, os resultados deste encontro, de modo a assinalar a presença de Osman Lins no canário dos estudos literários contemporâneos e apontas as mais recentes tendências investigativas sobre a sua obra, que atestam a atualidade de sua produção. Guimarães Rosa dizia que “as pessoas não morrem: tornam a ficar encantadas”. Essa observação vale duplamente para o caso dos escritores criativos para além de todos os limites. A beleza que eles produziram em palavras, e que hoje se oculta nos livros que eles nos legaram: “os termos da sua peregrinação, o outro do seu ser, o que resta do que os anos queimam”, segundo Osman Lins, parece aguardar-nos numa longa e paciente vigília. Pois os livros, sem leitores, nada mais são que domicilia deserta, que os Báciras, Súpetos e Iólipos assombram em silêncio.

 

 

Literatura e Medicina

Maria do Carmo Nino e Ermelinda Ferreira (Org.)

A necessidade de ampliar o olhar da Medicina Moderna sobre a condição humana e o cuidar, fez com que, a partir da década de  70, várias escolas médicas começassem a inserir ao currículo contemporâneo disciplinas da área de humanidades articuladas à prática médica, as chamadas “humanidades médicas”.

Ainda periféricas na educação médica, as humanidades vêm ganhando espaço no processo educacional/vivencial/afetivo em Medicina, com vistas ao (re)conhecimento da alteridade, ao comportamento ético e ao desenvolvimento de habilidades de comunicação e construção de vínculos.

Capítulo particular dentro das humanidades médicas, as interações entre Medicina e Arte abrem caminho que, em uma formatação restrita aos aspectos biotecnológicos da profissão, jamais seriam abordados: a experiência do médico como artista; a vivência de ser tocado pela arte e descobri-se mais além; a experiência do paciente como artista, a própria Medicina como interpretada pelas obras de arte, e até mesmo de si mesmo como artista, como acontece com alguns de nossos alunos.

As artes também propiciam conhecimentos estéticos e percepções que vão lapidar intuição e empatia, competências bem diferentes àquelas a que médicos e estudantes estão habituados, mas cada vez mais reconhecida como essenciais para as boas práticas em Medicina – e mais, para o próprio prazer de ser médico.

As humanidades médicas despontam como recurso de subjetivação para o aluno se re-inventar em uma identidade profissional mais sensível ao humano de si (o médico) e do outro (paciente, familiares, equipe de saúde).

Outro aspecto importante a se destacar é que, na interface Medicina e Arte, há sempre uma questão narrativa. A prática médica ocorre em meio a uma produção de narrativas, muitas vezes desconsideradas pelo engessamento normativo, mas a vida de médico é uma vida de encontros com o outro em que tudo acontece sobre histórias contadas e re-contadas por pacientes e médicos em interação. Temas que as artes não cansam de representar: a vulnerabilidade humana, medos, cuidados, luto, rituais de cura e superação, emoções todas, violência, sexualidade, crenças, esperanças e desesperos.

Aprender a perceber e conhecer essa dimensão da prática não como um subproduto ou um ruído de fundo “ao que interessa – o núcleo duro técnico e tecnológico da Medicina”, mas como expressão substantiva e criadora do ser médico, poderá, quem sabe iluminar da Medicina sua tão bela face de Arte.

 

 

Narrações da Violência biótica

Roland Walter e Ermelinda Maria Araújo Ferreira (Org.)

Violência biótica é uma expressão que evoca, em primeira instância, o modus operandi da própria vida em toda a sua imensa variedade de suportes, porque nada é mais violento do que a existência na biosfera, nada é mais violento do que nascer e morrer, e nos interstícios destes extremos, manter-se vivo. Há, inegavelmente, violência nos ecossistemas: intimidação, constrangimento, coação. Sem ela, não haveria vida. A vida é incompatível com a apatia e o torpor, com a ausência da morte da qual depende a sua renovação. O que talvez não exista na biosfera de modo generalizado é a crueldade. É, portanto, a consciência da crueldade humana, e não da violência biótica em si, o que parece estruturar o discurso ecológico, que está na ordem do dia difundindo noções de preservação, sustentabilidade, parcimônia, tolerância e respeito a outras formas de existir e outras formas de pensar a existência.

 

 

 

Afro-América: Diálogos Literários na Diáspora Negra das Américas

Roland Walter

Por meio de um estudo comparativo de obras escolhidas de escritores afro-descendentes oriundos do Canadá, dos Estados Unidos, do Caribe e d Brasil, o autor examina diversos aspectos específicos da africanidade transculturada com o objetivo de problematizar as confluências culturais desde o passado até o presente. Partindo da hipótese de que a diáspora negra das Américas constitui uma encruzilhada de formas e práticas culturais em permanente processo, o autor escolheu o paradigma da transculturação como base de uma hermenêutica transfronteiriça para analisar a dinâmica dos fluxos interculturais da encruzilhada negra refletida e refratada pela narração. Desde a interface local e global desta encruzilhada, o estudo comparativo e interdisciplinar problematiza a fragmentação e reconstrução de identidades individuais e coletivas dentro de episteme transcultural da diáspora negra. Neste processo, especial, enfoque é dado ao importante papel da memória na tradução a) das diversas formas de violência desde o navio negreiro e o sistema de plantação até os guetos do presente; b) das diversas formas de resistência a esta violência; c) do inconsciente ecológico e d) de uma consciência interior que separa e liga os diferentes contextos culturais da diáspora negra pan-americana. Através deste trabalho analítico o autor contribui de maneira pioneira tanto para os estudos da literatura afro-descendente em particular quanto para os estudos da literatura afro-descendente em particular quanto para os estudos da diáspora em geral e preenche a lacuna da comparação literária transnacional dentro destes campos.

 

 

Narrative Identities: (Inter)Cultural In- Betweenness in the Americas

Roland Walter

Narrative Identities examines how Latin American, Caribbean, Chicano/a, African American and Native American writers re-negotiate individual and collective identity within, between and beyond geographic, temporal, racial, ethnic, gender-related, spiritual, and psychological border(land)s. The author traces what is at stake when individuals dwell in in-betweenness and how these individuals cope with moving between borders, when identity-based forms of oppression, such as (neo)colonialism, racism, and sexism, deny or delimit the negotiation and comprehension of identity’s meanings. The book explores cultural in- betweenness in both local and global contexts as one of the principal characteristics shared by Pan-American writers and measures cultural differences and similarities in the Americas against each other.

It draws the map of a different cultural consensus in the Americas and opens the space for a new vision of Inter-American literary relations and criticism.

 

 

Fernando Pessoa e a Filosofia Sanatorial

Luís Filipe Teixeira

Este livro trata das relações entre Pessoa e a ideia de uma Filosofia sanatorial, consubstancial à arquitetura do processo heteronímico pessoano como, aliás, a quase toda a Modernidade, comparando-a com o romance de Cultura (Bildungsroman) de T. Mann A Montanha Mágica. Este último representa um dos seus exemplos mais evidentes surgindo, usualmente, como expressão da crise e fracasso da racionalidade de tipo iluminista e cartesiana, isto é, a contrario, de afirmação da lição niilista do processo de individuação. Ora, os textos ficcionais «Na Casa de Saúde de Cascaes» e «Na Casa de Saúde de Caxias», ambos existentes no espólio e aqui transcritos em anexo, fornecem-nos o quadro teórico sanatorial em que este se movimenta e, por amplificatio, a própria mania divina da alma em que se integra a heteronímia, aqui pela mão do «misoneísta», «relembrador da antiguidade» e «médico da cultura», «o mais (pessoalmente) original de todos» (que surge nesse sanatório de Cascais vestido de toga, recitando «o principio da lamentação de Prometheu no drama de Eschylo») que é o Dr. António Mora-Fernando Pessoa. Thomas Mann (como o próprio Pessoa) tinha dificuldade em aprovar este espírito. Como artista, era-lhe difícil entrar em rotura com a tradição romântica que passava por Goethe, Nietzsche ou Wagner. É esta a história que, à semelhança do processo heteronímico (de individuação) se narra n’A Montanha Mágica e que, em termos de metáfora, também se (pré)figura nesta filosofia sanatorial. Quer num caso quer no outro, como se irá ler, estamos perante um análogo jogo de demiurgia divina («Desejo ser um criador de mythos, que é o mysterio mais alto que pode obrar alguém da humanidade», escreve Pessoa num dos fragmentos para «Aspectos»).

 

 

Hermes ou a experiência da mediação (Comunicação,Cultura e Tecnologias)

Luís Filipe Teixeira

A intenção deste livro é apresentar uma visão transdisciplinar da cultura contemporânea à luz do seu cruzamento  com as problemáticas dos novos media e das tecnologias da informação. Nele encontraremos o desenvolvimento de uma argumentação que toma o ensinamento grego, presente na sua mitologia, como paradigma e origem do próprio pensamento, partindo à descoberta dos territórios representados no seu mapa. Com ele procuram-se novas bases (já antigas) para alguns dos problemas fundamentais da cultura contemporânea, sobretudo no que diz respeito a uma fenomenologia da comunicação, às narrativas (oral/escrita/imagem), ao virtual, ao ludológico e ao técnico, com especial relevo para o pensamento que intersecciona as humanidades com as tecnologias.

 

 

 

Obras de António Mora

Luís Filipe Teixeira

Obras de António Mora, de Fernando Pessoa: Edição e Estudo reúne, pela primeira vez, toda a produção ensaística desta figura heteronímica do universo pessoano, incluindo fragmentos e projetos por ele assinados ou a ele atribuíveis criticamente.

Para além do corpus crítico (textos assinados com título de projeto; textos assinados sem título de projeto; textos não assinados, mas com indicação de projeto atribuível a António Mora; textos que, não estando assinados nem possuindo título do projeto para que foram escritos, contudo, podem ser criticamente atribuídos a António Mora), o volume contém ainda uma secção de aparatos críticos e genéticos onde se registram as variantes da gênese ou da tradição; e uma outra de textos suplementares (Parte III), para a qual, à semelhança do que se fez para a Parte I respeitante ao «Dossiê da Obra», foi adotado um comportamento editorial específico.

A partir de todo este trabalho hermenêutico, crítico e metodológico, torna-se possível proceder a todos esses vários estudos de perspectivação teórica com base, pensamos, em novas luzes.

 

 

Pensar Pessoa: A dimensão filosófica e hermética da Obra de Fernando Pessoa

Luís Filipe Teixeira

Em Novembro de 1997 (a comemorar o meu aniversário e 10 anos de atividade literária…) saiu a público o livro que recolhe a totalidade dos meus ensaios sobre Pessoa (por ordem cronológica, que é aquela por que devem ser lidos…), três conferências e ainda mais quatro projetos pessoanos sobre “hermetismo”, dois deles já editados (“Casa de Saúde de Caxias” e “O Philosopho Hermetico”) mas que, sendo interdependentes com os outros dois (inéditos – “O Desconhecido” e “o Rosa-Cruz”) (tal como está referido nalguns projetos pessoanos), achou-se por bem incluí-los para que tudo ficasse o mais completo e sistemático possível.